terça-feira, 22 de novembro de 2011

Companhia pioneira abandona estudos com células-tronco embrionárias

Primeira empresa a realizar testes clínicos com esse tipo de célula decide dedicar-se a outras prioridades

A americana Geron Corporation, primeira empresa a obter aprovação do governo dos Estados Unidos para realizar testes clínicos com células-tronco embrionárias humanas, anunciou, em 13 de novembro, que decidiu abandonar todas as pesquisas na área, passando a dedicar-se a estudos sobre o câncer.
 
Os pacientes já envolvidos continuarão a ser monitorados, e os dados serão repassados à FDA e à comunidade científica Em nota oficial, a companhia cita “o ambiente atual de escassez de capital” e acrescenta que “ao estreitar nosso foco para a área terapêutica oncológica, prevemos ter recursos financeiros suficientes” para conduzir os testes clínicos necessários sem a necessidade de levantar mais capital, “o que seria impossível se continuássemos a financiar pesquisas de células-tronco nos níveis atuais”.
 
A empresa vai concentrar seus recursos nos chamados testes de fase 2 – quando a eficácia da droga começa a ser testada em seres humanos – de duas substâncias: o Imetelstat, para câncer de pulmão, mama, trombocitemia essencial e mieloma múltiplo, e o GRN1005, para metástases no cérebro causadas por câncer de pulmão e de mama.
 
A decisão de concentrar a empresa no desenvolvimento dessas drogas levará a um corte de 38% na folha de pagamento, diz ainda a nota da companhia. A Geron anunciou que procura um parceiro que possa levar adiante seus programas de células-tronco.
 
“Células-tronco continuam a ser muito promissoras para a medicina”, diz a nota. Para facilitar uma eventual transferência das linhas de pesquisa para outras companhias, a Geron manterá um núcleo de especialistas na área até o final de 2012.
 
Empresa devolveu verba pública obtida para fazer pesquisas com células-tronco A licença obtida pela Geron para testar uma terapia baseada em células-tronco embrionárias em seres humanos, no tratamento de ferimentos da medula espinhal, saiu em 2009. A empresa teve de apresentar à FDA, órgão que supervisiona o mercado de alimentos e medicamentos nos EUA, um relatório de 21.000 páginas, descrevendo 24 diferentes estudos em animais, para satisfazer os reguladores quanto à segurança da técnica. A primeira publicação científica sobre o procedimento em teste na companhia havia ocorrido em 2005.
 
Além disso, a Geron tinha sido uma das fontes de financiamento do primeiro estudo a isolar células-tronco a partir de embriões humanos, publicado na revista Science em 1998 e, por causa disso, conta com uma série de licenças exclusivas sobre patentes na área.
 
A Geron tinha sido uma das fontes de financiamento do primeiro estudo a isolar células-tronco a partir de embriões humanos, publicado na revista Science em 1998 Ao anunciar a decisão de abandonar essa linha de pesquisa, a empresa declarou que as inscrições de novos voluntários para os testes com células-tronco serão fechadas, mas que os pacientes já envolvidos continuarão a ser monitorados, e os dados serão repassados à FDA e à comunidade científica.
 
No primeiro semestre deste ano, o Instituto de Medicina Regenerativa da Califórnia, uma agência do governo do Estado encarregada de fomentar estudos envolvendo terapias derivadas de células-tronco, havia concedido à Geron um empréstimo de US$ 25 milhões, dos quais mais de US$ 6 milhões já haviam sido desembolsados. O Instituto informou, por meio de nota, que o dinheiro liberado já foi devolvido, com juros.

Notícia em Inovação/UNICAMP
http://www.inovacao.unicamp.br/noticia.php?id=1102
Acesso em 22 de novembro de 2011.

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