sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Fitoterápico pode ter o mesmo efeito da sibutramina

Com a proibição de alguns emagrecedores – medicamentos à base de anfepramona, femproporex e mazindol – e a maior restrição ao uso da sibutramina, outras substâncias fitoterápicas vêm sendo apontadas como opção para o tratamento de perda de peso. Uma dessas opções é a Pholia Negra, um extrato natural de várias ervas brasileiras. O medicamento promete aumentar a sensação de saciedade, pois retarda a digestão. Em um experimento com ratos, na qual metade tomou a sibutramina e a outra metade a Pholia Negra, os dois grupos emagreceram a mesma medida.




Porém, Dr. Osvaldo Bonfim de Carvalho, [foto ao lado] farmacêutico e presidente do Conselho Regional de Farmácia do Piauí (CRF-PI), explica que o produto é registrado como insumo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pode ser consumido como complemento alimentar e não como remédio.

“Esse não é um produto acabado, ele é um insumo, o quer dizer que em sua composição não está contida apenas uma substância ativa com um efeito certo sobre o organismo humano. São várias substâncias, e não se sabe ainda exatamente quantas ou quais delas são ativas. Portanto, há que se ter cautela no seu uso terapêutico”, esclarece Osvaldo Bonfim.

O estudo foi feito com ratos nos laboratórios de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo (USP), sob a orientação da professora Maria Martha Bernardi. A professora ressaltou que foi feito um estudo pré-clínico, ou seja, um estudo com animais para prever efeitos no ser humano.

O farmacêutico Roberto Gomes, diretor tesoureiro do CRF-PI, também alerta para o perigo no retardamento da digestão. “É importante lembrar que o retardamento no esvaziamento gástrico, que dá a sensação de saciedade, pode ter o seu efeito exagerado e ocasionar agravos a problemas gástricos como ulceras e gastrites já instaladas. Ao alterar o metabolismo de ácido-graxos e de glicose, diminuindo a formação de gordura visceral em pacientes com doenças crônicas como diabetes, isso pode e deve ser avaliado pelo profissional médico que acompanha o tratamento para intervir nas intercorrências que possam ocorrer neste período ao paciente”, alerta o farmacêutico.

Osvaldo Bonfim enfatiza a importância do acompanhamento multidisciplinar e da mudança de rotina para pacientes que queiram perder peso. “Devemos sempre considerar que para esses indivíduos que estão nesta condição de sobrepeso o acompanhamento é multidisciplinar e que uma dieta, exercícios físicos e uso de quaisquer medicamentos ou paliativos devem ser feitos sob a orientação de profissionais de saúde, nutricionistas, educador físico, médico e farmacêutico”.

Fonte: Ascom - CRF

Nenhum comentário:

Postar um comentário