O medicamento antiinflamatório Daxas deixa os pacientes mais longe das internações
| Saraga Schiestl @Saraga_ND Florianópolis |
Foto Rosane Lima/ND
Apesar de ainda não depender do Daxas, Oscar fica tranquilo com as pesquias feitas sobre o DPOC
Pacientes diagnosticados com DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) receberam uma boa notícia durante a semana que passou. Foi lançado na quinta-feira (28), em Florianópolis, o medicamento Daxas®, um anti-inflamatório autorizado pela Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) que progressivamente colabora com a diminuição das inflamações nos pulmões dos doentes.
O pneumologista, Emílio Pizziochini, observa que este medicamento cujo princípio ativo é o Ropflumilast age de forma diferente no organismo de tem a doença porque ele não trata momentaneamente a inflamação, mas sim, com o tempo colabora na redução desses sintomas inflamatórios. “O Daxas® é administrado em forma de comprimido em via oral uma vez ao dia. Entretanto, ele só é indicado aos pacientes que desenvolveram a forma crônica da doença, com crises severas de tosse, falta de ar e catarro”, explica Pizziochini. Uma caixa do medicamento, com 30 comprimidos custa R$ 120 e ainda não está disponível pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Diversos laboratórios do mundo inteiro vêm estudando há mais de 20 anos a melhor fórmula para o medicamento. O Daxas® têm fabricação alemã e foi lançado nos países europeus em 2010. Brasil e Estados Unidos receberam o lançamento na segunda metade de 2011.
Apesar da melhoria na condução do tratamento, o médico pneumologista do InCor (Instituto do Coração) de São Paulo, Alberto Curier, explica que a ação do Daxas® não é imediata. “Estamos analisando ainda a ação dele ao longo dos anos, mas certamente haverá uma melhora na qualidade de vida dessa pessoa”, diz. Para o médico do InCor, a chegada do Daxas® reflete diretamente na qualidade de vida dos doentes. “Uma pessoa que antes era internada cinco ou seis vezes por ano por causa de uma gripe, agora poderá se recuperar em casa”, espera.
Como a DPOC surge?
Fumantes, mesmo os passivos e pessoas expostas a altos índices de poluição com mais de 40 anos formam o grupo mais propenso a desenvolver DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). A principal característica da doença é tosse crônica, com catarro, crises de asma e ainda dificuldades respiratórias para realizar atividades físicas. “Se a pessoa sente algum desses sintomas, ao menos uma vez a cada três meses, é importante que ela busque ajuda médica. Um simples exame de espirometria pode diagnosticar a DPOC”, explica o médico pneumologista Emílio Pizziochini.
O agravamento do DPOC depende muito de acordo com o paciente, mas nas situações mais leves, muitas vezes não é necessário aplicar medicação. “Mesmo que a pessoa pare de fumar, o processo inflamatório continua evoluindo”, completa Pizziochini.
A DPOC é tão grave que pode levar à morte do paciente, mas ainda assim, a doença pode evoluir para um câncer de pulmão. “Muitos pacientes com DPOC apresentam doenças cardíacas e podem morrer vítimas de enfarte e insuficiência cardíaca”, alerta o médico.
Antes da chegada do Daxas®, os médicos tinham à disposição apenas remédios bronquiodilatadores, que são inalados pelo paciente e tratam diretamente no alargamento dos brônquios. “Mas esses remédios não tratam a inflamação”, completa Pizziochini.
A necessidade de mais pesquisas
Diagnosticado com DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) há quatro anos, Oscar Alberto Filho, 62, ainda não foi medicado com o remédio Daxas®, mas aprova iniciativas de novas pesquisas para amenizar os problemas de quem tem a doença. “Além de tomar outros medicamentos, faço fisioterapia há dois anos e meio. Esse conjunto de ações têm feito com que minha doença não avance rapidamente”, comemora. A grande preocupação de Oscar fica com a falta de informação sobre a doença nos ambientes de saúde pública. “Quando comecei meu tratamento, acreditavam que eu tinha bronquite”, completa.
Pesquisa em Florianópolis
O Instituto RIC promove nos próximos meses um estudo com 1200 moradores de Florianópolis para saber qual a incidência de DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) no município. “Hoje ainda não temos números exatos de quantas pessoas adoecem em virtude da DPOC em Florianópolis”, antecipa o médico pneumologista Emílio Pizziochini, que participará desta pesquisa.
Hoje sabe-se que 4 entre 10 fumantes são diagnosticados com DPOC. “Em São Paulo, pesquisas dão conta que 10% da população com mais de 40 anos apresenta a doença”, completa Pizziochini.
Notícia em ND Online
http://www.ndonline.com.br/florianopolis/noticias/novo-remedio-promete-qualidade-de-vida-para-doentes-com-dpoc.htmlAcesso em 28 de agosto de 2011.
Nenhum comentário:
Postar um comentário