domingo, 28 de agosto de 2011

Hemolíficos tem novo medicamento

Khadine Novaczyk  / Da Redação 
 
Os portadores de hemofilia terão mais uma opção de medicamento para situações emergenciais. É o Feiba, que acaba de ser lançado e foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). E a parte melhor é que o Ministério da Saúde já o distribui.

A hemofilia é um problema de coagulação no sangue. "É uma doença hemorrágica e hereditária. Acomete predominantemente homens. É mais raro encontrarmos uma mulher com hemofilia", afirma o hematopediatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, Jorge David Carneiro.

Existem dois tipos: a hemofilia A e a B. O tipo A é uma falha no processo de coagulação chamado "fator 8" e o tipo B é no "fator 9". Em geral, a A é a que mais ocorre. Há também três graus da doença: grave, moderada e leve.

A grave gera até mesmo hemorragias dentro das articulações ou no músculo, podendo acontecer de forma espontânea. Ou seja, a pessoa nem precisa sofrer um trauma ou se machucar. Simplesmente, de uma hora para outra começa a sangrar.

Os hemofílicos costumam ter sangramento espontâneo do nariz e gengivas e quando se cortam, por exemplo, o corpo não consegue cicatrizar o ferimento, pois o sangue não coagula. O tratamento usual para a hemofilia A e B é a aplicação endovenosa dos fatores de coagulação que estão em falha, o 8 ou o 9. Pode ser tanto profilático quanto emergencial apenas. Depende do grau.

Porém, em alguns casos, ocorre ainda mais um agravante. O paciente não consegue reagir com o fator aplicado, o remédio não funciona, pois dentro de seu organismo há uma substância que inibe o efeito. É aí que entra o Feiba. 

"Ele promove a coagulação independente dos fatores", explica o médico.

Segundo estimativas do Ministério da Saúde, existem cerca de 7 mil hemofílicos no Brasil. Desses, 10 a 30% apresentam uma complicação da doença, desenvolvem anticorpos contra o fator 8. Um estudo comparativo entre dois medicamentos utilizados para tratar complicações da hemofilia do tipo A revelou que o Feiba é eficaz para mais de 75% dos pacientes e possui custo menor.

Os especialistas constataram ainda que uma única dose da nova medicação foi capaz de interromper o sangramento e controlar a hemorragia dos hemofílicos. Para obter o mesmo resultado com outro medicamento, os médicos tiveram que ministrar duas doses aos pacientes.

"O fato de ser eficaz com apenas uma dose permite que tenha uma relação custo-benefício melhor. O tratamento se torna mais barato e facilita a adesão", observa Jorge. "Enquanto os outros medicamentos devem ser aplicados por via intravenosa a cada três horas, o Feiba é ministrado de 12 em 12 horas", conta.

 
Notícia em Gazeta Digital
http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/18/materia/137677
Acesso em 28 de agosto de 2011.

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