Princípio ativo
Como uma velha empresa química de São Paulo conquistou a confiança dos povos da floresta e se tornou a maior fornecedora de óleos amazônicos para a cosmética internacional
Por Clarice Couto
SANGUE NOVO
Filipe Sabará é o diretor da Beraca que negocia com clientes globais...
Visualize a cena. Milão no final do inverno europeu. Num evento paralelo à In-Cosmetics, maior e mais glamourosa feira internacional de produtos de beleza, gigantes da cosmética discutem transparência na cadeia de abastecimento de matérias-primas. De um lado da mesa, Michel Phillippe, vice-presidente da L’Oréal, uma multinacional francesa com faturamento de US$ 19,5 bilhões. De outro, Pascal Bordat, VP da igualmente francesa e globalizada Estée Lauder, com receitas anuais de US$ 7,8 bilhões. Entre eles, Filipe Sabará, um brasileiro de 27 anos, diretor de negócios da Beraca, uma fabricante de insumos para cosméticos à base de frutos da Amazônia. Ele não estava lá à toa.
Não ria do nome esdrúxulo. A Beraca é a maior fornecedora internacional de óleos e ingredientes derivados de frutos amazônicos e fornece para praticamente todas as grandes empresas que já entraram na onda dos cosméticos naturais e orgânicos. É nicho? Sim, mas este mercado cresceu globalmente ao ritmo de 12% ao ano nos últimos cinco anos – 20% nos Estados Unidos, que concentra mais da metade das vendas mundiais. A Beraca se beneficiou desse movimento. De um ano para cá, a parcela dos ingredientes da empresa destinados à exportação passou de 40% para 50%. Seu faturamento cresceu 33% nos últimos três anos e chegou a R$ 110 milhões em 2010. A companhia atua também nos setores de nutrição animal, ingredientes para alimentos e tecnologias para tratamento de água. Mas é a divisão de insumos para cosméticos que lidera a expansão.
O conceito de cosmético orgânico ou natural ainda é objeto de debates, mas alguns princípios são aceitos por todas as certificadoras. Pelo menos 70% de seus insumos não podem ser transgênicos nem ter tido contato com defensivos ou adubos químicos. Para usar orgânico no rótulo, ainda é preciso que as matérias-primas sejam certificadas. Até poucos anos atrás, a fabricação de produtos do gênero concentrava-se em empresas segmentadas como a suíça Weleda, as alemãs Dr. Hauschka e Logona e as americanas Burt’s Bees e Aveda. Mas, na última década, a crescente popularidade dos alimentos orgânicos se estendeu aos cosméticos. Grifes de produtos de beleza convencionais adquiriram marcas de artigos naturais. A Estée Lauder comprou a Aveda em 1997. Foi seguida pela L’Oréal que, em 2000, comprou a centenária farmácia nova-iorquina Kiehl’s.
MÉTODO ARTESANAL
Um trabalhador ensaca amêndoas de andiroba em uma estufa improvisada na mata da região de Bragança, no Pará. Hoje, 40 comunidades de oito estados fornecem para a Beraca.
Notícia em: Época Negócios
http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI245843-16642,00-PRINCIPIO+ATIVO.htmlAcesso em 28 de agosto de 2011.
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