domingo, 28 de agosto de 2011

Princípio ativo

 

Como uma velha empresa química de São Paulo conquistou a confiança dos povos da floresta e se tornou a maior fornecedora de óleos amazônicos para a cosmética internacional

Por Clarice Couto
Fernando Martinho/Paralaxis
 
SANGUE NOVO
 
Filipe Sabará é o diretor da Beraca que negocia com clientes globais...

Visualize a cena. Milão no final do inverno europeu. Num evento paralelo à In-Cosmetics, maior e mais glamourosa feira internacional de produtos de beleza, gigantes da cosmética discutem transparência na cadeia de abastecimento de matérias-primas. De um lado da mesa, Michel Phillippe, vice-presidente da L’Oréal, uma multinacional francesa com faturamento de US$ 19,5 bilhões. De outro, Pascal Bordat, VP da igualmente francesa e globalizada Estée Lauder, com receitas anuais de US$ 7,8 bilhões. Entre eles, Filipe Sabará, um brasileiro de 27 anos, diretor de negócios da Beraca, uma fabricante de insumos para cosméticos à base de frutos da Amazônia. Ele não estava lá à toa.

Não ria do nome esdrúxulo. A Beraca é a maior fornecedora internacional de óleos e ingredientes derivados de frutos amazônicos e fornece para praticamente todas as grandes empresas que já entraram na onda dos cosméticos naturais e orgânicos. É nicho? Sim, mas este mercado cresceu globalmente ao ritmo de 12% ao ano nos últimos cinco anos – 20% nos Estados Unidos, que concentra mais da metade das vendas mundiais. A Beraca se beneficiou desse movimento. De um ano para cá, a parcela dos ingredientes da empresa destinados à exportação passou de 40% para 50%. Seu faturamento cresceu 33% nos últimos três anos e chegou a R$ 110 milhões em 2010. A companhia atua também nos setores de nutrição animal, ingredientes para alimentos e tecnologias para tratamento de água. Mas é a divisão de insumos para cosméticos que lidera a expansão.

O conceito de cosmético orgânico ou natural ainda é objeto de debates, mas alguns princípios são aceitos por todas as certificadoras. Pelo menos 70% de seus insumos não podem ser transgênicos nem ter tido contato com defensivos ou adubos químicos. Para usar orgânico no rótulo, ainda é preciso que as matérias-primas sejam certificadas. Até poucos anos atrás, a fabricação de produtos do gênero concentrava-se em empresas segmentadas como a suíça Weleda, as alemãs Dr. Hauschka e Logona e as americanas Burt’s Bees e Aveda. Mas, na última década, a crescente popularidade dos alimentos orgânicos se estendeu aos cosméticos. Grifes de produtos de beleza convencionais adquiriram marcas de artigos naturais. A Estée Lauder comprou a Aveda em 1997. Foi seguida pela L’Oréal que, em 2000, comprou a centenária farmácia nova-iorquina Kiehl’s.
   Reprodução
 
MÉTODO ARTESANAL
 
Um trabalhador ensaca amêndoas de andiroba em uma estufa improvisada na mata da região de Bragança, no Pará. Hoje, 40 comunidades de oito estados fornecem para a Beraca.
 
Notícia em: Época Negócios
http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI245843-16642,00-PRINCIPIO+ATIVO.html
Acesso em 28 de agosto de 2011.

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