domingo, 11 de setembro de 2011

Célula-tronco induzida a partir da pele ajuda a preservar espécies em extinção

Pesquisadores acreditam que a nova técnica poderia ajudar também casais com problema de infertilidade

A partir de células da pele, cientistas do Scripps Research Institute, nos Estados Unidos, produziram células-tronco de espécies ameaçadas. Essas células poderiam, eventualmente, tornar possível a melhoria da reprodução e a diversidade genética de algumas espécies, possivelmente salvando-as da extinção ou melhorando a saúde dos animais em cativeiro. A pesquisa foi publicada este mês na edição online da revista científica Nature Methods.

Há cerca de cinco anos, o diretor da genética do Instituto de Pesquisa de Conservação San Diego Zoo, Oliver Ryder, entrou em contato com Jeanne Loring, professora de neurobiologia do desenvolvimento no Scripps Research, para discutir a possibilidade de coletar células-tronco a partir de espécies ameaçadas de extinção. A equipe de Ryder já tinha criado o Frozen Zoo, um banco de células de pele e outras amostras de mais de 800 espécies e se perguntou se todo este material catalogado poderia servir ??como ponto de partida.

Assim como acontece com os seres humanos, Ryder pensou que terapias com células-tronco de espécies ameaçadas poderiam permitir a preservação destes animais e oferecer o potencial para preservar ou ampliar a diversidade genética, abrindo novas possibilidades de reprodução.

Na época, embora os investigadores estivessem trabalhando com células-tronco de embriões, eles ainda não tinham desenvolvido técnicas para estimular células adultas de forma eficaz para que elas se tornassem células-tronco. Mas agora os pesquisadores podem realizar a chamada pluripotência induzida por meio da inserção de genes nas células normais que possibilitam a transformação.

Quando a equipe de Loring se reuniu com Ryder no início de 2008, eles perceberam que essas novas técnicas emergentes poderiam ser aplicadas às espécies ameaçadas. O cientista Friedrich Ben-Nun também começou a explorar sistematicamente as possibilidades.

Ryder sugeriu a análise de duas espécies para o trabalho inicial. O primeiro foi um primata altamente ameaçado, chamado de " broca" , escolhido em função de sua estreita ligação genética com os humanos. Em cativeiro os animais muitas vezes sofrem de diabetes, problema que pesquisadores estão trabalhando para tratar em humanos utilizando terapias baseadas em células-tronco. O rinoceronte branco do norte foi o segundo candidato. Ryder escolheu este animal porque ele é geneticamente muito diferente dos primatas, e porque é uma das espécies mais ameaçadas do planeta. Existem apenas sete animais vivos em todo o mundo e dois deles residem no San Diego Zoo Safari Park.

Após um ano de tentativas e erros, os pesquisadores descobriram que os mesmos genes que induzem a pluripotência em seres humanos também funcionaram para o primata e o rinoceronte. O processo é ineficiente, ou seja, apenas poucas células-tronco estão sendo produzidas agora, mas isso é o suficiente. "Existem apenas dois animais na pesquisa, mas temos o início de um novo zoológico, o jardim zoológico de células-tronco", disse Ryder.

Além da possibilidade de usar células-tronco como base para o diabetes ou outros tratamentos, há um grande potencial para novas tecnologias reprodutivas com o avanço das pesquisas na área de células-tronco. "A coisa mais importante é fornecer essas células-tronco como um recurso para que as pessoas deem os próximos passos", disse Loring.

Uma das maiores preocupações com animais em extinção, como os rinocerontes brancos do norte é que mesmo que eles se reproduzam, o que não aconteceu há muitos anos. Além disso, a diversidade genética é inevitável e perigosamente baixa porque a endogamia causa grande incidência de animais doentes.

Pesquisadores estão trabalhando para induzir as células-tronco para se diferenciarem em esperma ou óvulos. Isso traz a possibilidade aos cientistas de retirar células da pele de animais mortos, induzir a diferenciação em células de esperma e depois combiná-las com ovos de um animal vivo por meio de fertilização in vitro. Assim a diversidade genética pode ser reintroduzida na população, tornando-a mais saudável, maior e mais robusta.

Ou então, ambos os óvulos e espermatozoides pode ser produzido a partir de células-tronco, com os embriões resultantes implantados em animais vivos, um processo que a pesquisa atual sugere que poderia ser muito mais confiável do que as técnicas de clonagem existentes. Os cientistas já estão explorando a possibilidade de produzir espermatozoides e óvulos de células-tronco como uma potencial solução para problemas de infertilidade humana.

Loring espera que alguns desses grupos possam considerar o desenvolvimento da técnica inicial, usando células-tronco de espécies ameaçadas de extinção. "Eu acho que o trabalho seria muito mais fácil eticamente com espécies ameaçadas do que com os seres humanos, então eu suspeito que algumas pessoas que trabalham nesta área gostariam de usar as nossas células para experiências", disse Loring.

Clique aqui para ler o artigo na íntegra (em inglês).

Notícia em ISaúde
http://www.isaude.net/pt-BR/noticia/20609/ciencia-e-tecnologia/celula-tronco-induzida-a-partir-da-pele-ajuda-a-preservar-especies-em-extincao
Acesso em 11 de setembro de 2011.

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