segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Transplante de fígado oferece alternativa para tratamento de câncer raro

Os primeiros resultados sugerem melhorias significativas na sobrevivência para o câncer do ducto biliar

Robert "Buzz" Gehle pensava que o comichão que ele tinha era recorrência de um caso anterior de herpes. Mas quando o médico viu que ele também estava com icterícia, imediatamente soube que havia um problema de fígado. Gehle foi diagnosticado com colangiocarcinoma câncer no ducto biliar em outubro de 2009, e logo ficou claro que a cirurgia tradicional não seria uma opção.

Em vez disso, médicos da University of Michigan Comprehensive Cancer Center começaram com uma quimioterapia e radioterapia e fizeram uma série de testes para determinar se ele era saudável o suficiente para um possível tratamento novo: um transplante de fígado. Este procedimento é frequentemente usado para o câncer que ocorre dentro do fígado. Mas o University of Michigan Comprehensive Cancer Center é um dos poucos do país a oferecer um transplante para o câncer do ducto biliar, que conecta o fígado ao intestino.

Este tipo de tumor pode ser extremamente difícil de remover cirurgicamente e, mesmo quando a cirurgia é uma opção, o câncer frequentemente volta. "Este é um tumor com que sempre lutamos. Historicamente, o transplante não foi pensado para ser um tratamento ideal para o câncer. O que aprendemos nos últimos anos é que, se selecionar os pacientes com muito cuidado e encontrar os pacientes certos, eles podem potencialmente ser ajudados com o transplante", diz o professor e cirurgião Christopher Sonnenday, da UM Medical School, que faz parte da Multidisciplinary Liver Tumor Clinic da U-M Comprehensive Cancer Center.

O procedimento é melhor para pacientes com câncer do ducto biliar que não é tratável cirurgicamente e que não se espalhou para outros órgãos. Pacientes são tratados com quimioterapia e radiação combinadas a uma série de testes para provar que o câncer não se espalhou.

Pelo fato de esses pacientes não terem doença hepática crônica, como um candidato ao transplante, a United Network for Organ Sharing automaticamente lhes dá pontos extras no sistema de alocação de fígado para que eles tenham um lugar melhor na fila, em relação à urgência da doença. Tipicamente, um fígado é disponibilizado dentro de três a seis meses. Durante a cirurgia, os médicos removem todos os dutos e bílis do fígado e realizam o cirurgia.

Pacientes com câncer do ducto biliar que se submetem à cirurgia tradicional têm uma percentagem de 30% a 40% de sobreviver em 5 anos. Para pacientes que não podem ter a cirurgia, essa taxa de sobrevivência é de apenas de 5% a 10%.

Dados iniciais para o transplante de fígado sugerem 5 anos de sobrevivência de 75% a 85%, que é semelhante ao total da taxa de sobrevivência com o transplante do fígado. "Este tratamento oferece esperança para um grupo seleto de pacientes com câncer do ducto biliar, para quem anteriormente não havia nenhuma outra opção eficaz. Agora, este procedimento parece muito melhor do que tudo o que fazemos para o câncer do ducto biliar em geral", diz Sonnenday.

Gehle foi o primeiro a se submeter ao procedimento na U-M, depois de estar na lista de transplantes por cerca de um mês. Pouco mais de um ano depois, ele está livre do câncer. "Nós estamos olhando adiante para ser o meu primeiro ano completo de aposentadoria. Se eu não tivesse feito o transplante, eu não estaria aqui. Os médicos da U-M, basicamente, salvaram minha vida", diz Gehle.

Cerca de 3 mil americanos são diagnosticados com colangiocarcinoma, ou câncer do ducto biliar, a cada ano. Após cinco anos, menos de 20% ainda estão vivos.

Notícia em I Saúde Net
http://www.isaude.net/pt-BR/noticia/20457/ciencia-e-tecnologia/transplante-de-figado-oferece-alternativa-para-tratamento-de-cancer-raro
Acesso em 05 de setembro de 2011.

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