Em uma experiência de laboratório, ratos diabéticos ficaram curados 24 horas depois de serem submetidos a um coquetel químico que reduziu a ação do sistema nervoso sobre o pâncreas. “É inacreditável”, disse o Dr. Michael Salter, do Hospital Infantil de Toronto, um dos envolvidos nas pesquisas. “Ratos com diabete de repente não tinham mais sinal da doença. Pareciam curados.”
Em todo o caso, passado o momento de euforia, os cientistas agora se mostram cautelosos, pois ainda é preciso reproduzir a experiência em seres humanos, uma jornada de mais um ou dois anos de pesquisas. De qualquer forma, o Dr. Hans Dosch, especialista em imunologia e que lidera as pesquisas, é enfático: “Eu nunca vi nada parecido.”
Se essas novas pesquisas obtiverem resultados confiáveis vão mudar radicalmente o tratamento da diabete tipo 1, a forma mais grave da doença com alta incidência em crianças, tornando-as vítimas de problemas autoimunes. Há indicações de que há mais em comum entre os tipos 1 e 2 da doença do que se pensava e de que o sistema nervoso tem papel importante em doenças inflamatórias, como a asma e o mal de Crohn, uma inflamação crônica intestino.
“Uma nova e excitante perspectiva se abre para a cura de uma das doenças de maior impacto social”, disse o Dr. Christian Stohler, chefe do departamento de biologia da Universidade de Maryland, EUA. A diabete é a sexta doença que mais mata nos EUA. Sua causa permanece desconhecida, mas fatores genéticos, obesidade e sedentarismo predispõe a pessoa a sofrer do mal. Entre suas vítimas, 10 por cento sofrem do tipo 1 e 90 por cento do tipo 2 da doença.
A diabete se caracteriza por um desequilíbrio da insulina, um hormônio essencial para a transformação da glicose em energia para o corpo. Seus sintomas são:
- Sede excessiva.
- Fome em demasia.
- Necessidade frequente de urinar.
- Fadiga.
- Perda de peso, ainda que não haja mudança na alimentação.
Injeções de insulina são o único método de tratamento da diabete do tipo 1, mas não de cura. Seus efeitos colaterais incluem aumento do risco de ataque cardíaco e falência renal.
Nas pesquisas agora anunciadas, os cientistas injetaram capsaína – um princípio ativo encontrado na pimenta chilli – no pâncreas dos ratos diabéticos, para destruir os nervos sensoriais pancreáticos. O surpreendente é que imediatamente o organismo dos animais com tipo 1 da doença passou a produzir insulina em níveis normais. Com uma única dose de capsaína, os ratos permaneceram saudáveis por um período de até quatro meses.
Os pesquisadores também descobriram que a mesma substância tinha ação sobre a diabete tipo 2, caracterizada pela resistência a insulina, sendo levados a acreditar que há mais em comum entre os dois tipos da doença do que se pensava. O próximo passo é confirmar se a conecção entre a doença e o sistema nervoso também existe entre os humanos. (Por Janir Hollanda)
Notícia em O Perú Molhado
Acesso em 18 de setembro de 2011.
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