Feito realizado por pesquisadores espanhóis e publicado na revista Nature Medicine é um avanço crucial para medicina regenerativa
Células-tronco do cólon humano foram identificadas e cultivadas em laboratório pela primeira vez. Esta conquista, feita pelos pesquisadores do Laboratório de Câncer Colorretal no Instituto para Pesquisa em Biomedicina (IRB Barcelona) e publicada na revista Nature Medicine, é um avanço crucial para a medicina regenerativa.
Ao longo da vida de uma pessoa, as células-tronco do cólon regeneram a camada interna do nosso intestino grosso dentro de um período semanal. Durante décadas, os cientistas tiveram provas da existência destas células embora a identidade delas tenha permanecido uma incógnita. Os cientistas liderados pelo pesquisador Eduard Batlle descobriu a localização precisa das células-tronco no cólon humano e elaborou um método que permite que elas sejam isoladas e expandidas in vitro, propagando-as efetivamente em lâminas de laboratório.
O desenvolvimento de células fora do corpo geralmente requer que se forneça às células, em uma lâmina de laboratório, a mistura certa de nutrientes, fatores de crescimento e hormônios. Mas, da mesma forma que cada um dos mais de 200 tipos de células no nosso corpo diferem-se uns dos outros, as condições ótimas de cultivo em laboratório também se diferenciam.
Consequentemente, conseguir cultivar células-tronco humanas adultas em laboratório vinha sendo uma verdadeira "missão impossível" até agora. A equipe de Batlle também estabeleceu as condições para manter as células do cólon humano vivas (CoSCs) fora do corpo humano: "Esta é a primeira vez que foi possível cultivar CoSCs em lâminas de laboratório e derivar linhagens de células intestinais-tronco em condições definidas em um ambiente laboratorial", explicou o pesquisador do IRB Barcelona, Peter Jung, autor do estudo juntamente com Toshiro Sato, do University Medical Center Utrecht, na Holanda.
As descobertas do grupo vieram depois de mais de 10 anos de pesquisa intensa centrada na caracterização da biologia das células-tronco intestinais e de sua ligação com o câncer. A pesquisa foi realizada numa estreita colaboração entre a equipe de Batlle, o grupo liderado por Hans Clevers no Instituto Hubrecht, o University Medical Center Utrecht, na Holanda, e María Blasco A. no Centro Espanhol de Pesquisa Nacional do Câncer, em Madrid.
Durante anos, cientistas de todo o mundo vêm tentando cultivar o tecido intestinal em lâminas de laboratório, testando diferentes condições, usando diferentes meios nutritivos. Mas, como a grande maioria das células neste tecido está em um estado diferenciado no qual elas não proliferam, elas sobreviveram apenas por alguns dias. "O objetivo deste estudo era encontrar uma maneira de identificar e selecionar CoSCs individuais e cultivá-las, mantendo seu estado indiferenciado e proliferativo em condições de laboratório. Assim, seríamos capazes de modelar a forma como elas crescem - em grandes números - e se diferenciam em células epiteliais intestinais normais em lâminas de laboratório. A comunidade científica tem agora uma 'receita' definida para isolar as CoSCs e derivar linhas estáveis de CoSCs, que têm a capacidade de crescer indiferenciadas por meses. Na verdade, agora podemos manter as células-tronco em uma lâmina por até 5 meses ou podemos induzir essas células artificialmente a se diferenciar, assim como elas fazem dentro de nossos corpos. Essa conquista abre uma nova área de pesquisa com potencial para provocar um enorme avanço na medicina regenerativa", disse Jung.
A medicina regenerativa, cuja ideia é reparar o corpo a partir do desenvolvimento de novos tecidos e órgãos quando os antigos se desgastam, envolve o cultivo de novas células de pacientes para formar tecidos e órgãos em laboratório. No entanto, o principal elemento para tornar a medicina regenerativa uma realidade - as células-tronco adultas - estão apenas começando a ser entendidas. "Com as orientações para o cultivo e a manutenção de células-tronco de cólon em laboratório, temos uma plataforma ideal que poderia ajudar a comunidade científica a determinar as bases moleculares da proliferação celular e da diferenciação gastrointestinal. Suspeita-se também que as alterações na biologia das CoSCs estão na origem de várias doenças que afetam o trato gastrointestinal, como o câncer colo-retal ou a doença de Crohn, uma doença auto-imune e inflamatória. Nossa descoberta abre o caminho para começar a explorar este campo", afirmou Jung.
Notícia em ISaúde
http://www.isaude.net/pt-BR/noticia/20587/ciencia-e-tecnologia/celulas-tronco-intestinais-sao-produzidas-pela-primeira-vez-em-laboratorioAcesso em 10 de setembro de 2011.
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