sábado, 20 de agosto de 2011

PROTETORES SOLARES BLOQUEIAM A PRODUÇÃO DE VITAMINA D? SIM.

LUZ DO SOL, VITAMINA D E PROTETOR SOLAR

Na semana passada falei um pouco sobre os protetores solares e as novas regras para eles. Comentei ao final da matéria que “A luz solar regula nosso relógio biológico e provê a vitamina D, essencial. Seja crítico em relação à quantidade e a qualidade de sol que você e os seus tomam.” A matéria também explora sobre a escolha adequada dos protetores solares para proteger a pele dos malefícios do sol, ou seja, do excesso de sol.

O difícil às vezes é saber o que é e quanto é melhor. Ao buscar mais informações sobre a vitamina D fiquei interessada em falar sobre ela e colocar um pouco de luz, solar de preferência, nesta questão. Alguns recomendam a proteção da pele, outros a exposição. Vejamos então.

Embora dermatologistas advoguem evitar a luz solar para evitar danos à pele, um crescente corpo de evidências sugere que o Sol exerce muitos benefícios de cura. De fato, estudos epidemiológicos indicam que você tem muito mais probabilidades de morrer de doenças agravadas pela subexposição crônica ao sol do que doenças agravadas pela superexposição. Em apenas um dos muitos exemplos, os epidemiologistas estimam que pelo menos 55 homens morrem prematuramente de câncer de próstata talvez devido a muito pouco sol, para cada homem que morre devido a muito sol.Exposição prolongada ao sol não resulta na produção de quantidades excessivas de vitamina D3 para causar intoxicação, mas o excesso pode causar danos à pele. Não advogo o uso absoluto de sol, nem o uso absoluto de protetor solar, porque o meio termo se justifica e SOL É SAÚDE!!!

HISTÓRIA

A primeira evidência da importância da luz do sol para a saúde humana começou com a revolução industrial no norte da Europa. As pessoas começaram a congregar em cidades vivendo em habitações que foram construídas muito próximas uma da outra. A queima de carvão e madeira poluía a atmosfera e conseqüentemente as crianças que viviam nessas cidades industrializadas tinham pouca exposição direta à luz solar. Pesquisadores reconheceram que crianças que viviam nestas cidades em toda a Europa apresentavam retardo do crescimento e desenvolviam deformidades esqueléticas, incluindo projeções ósseas ao longo da caixa torácica (rosário raquítico) e as pernas curvadas ou em xis; A doença foi chamada de raquitismo. A doença migrou para o nordeste dos Estados Unidos, onde as crianças em Nova York e Boston foram criadas em um ambiente poluído semelhantes, sem sol. Em 1900, a doença era tão comum e devastadora, estimando-se que 90% de crianças em Leiden, na Holanda, e 80% das crianças em Boston sofriam de raquitismo.

Em 1822, Sniadecki publicou suas observações clínicas de que as crianças que viviam no centro da cidade de Varsóvia apresentavam alta prevalência desta doença, enquanto que as crianças que viviam nas áreas rurais fora de Varsóvia não. Elaborou a hipótese de que foi a falta de exposição solar adequada que foi o maior responsável para o desenvolvimento de raquitismo em crianças. Em 1890, Palm acompanhou esta observação e reconheceu que as crianças que viviam nas cidades industrializadas da Grã-Bretanha estavam em alto risco de raquitismo. Seus colegas e amigos escreveram a ele da Índia e da China observando que crianças em condições de péssima nutrição e vivendo na miséria estavam livres da doença. Palma concluiu que era extremamente importante reconhecer que banho de sol poderia prevenir o raquitismo e que algum tipo de “medidor” de sol deveria ser desenvolvido para medir as propriedades curativas do sol, agindo sobre os ossos

O Hospital Flutuante (Floating) de Boston nos EUA atual tem o seu nome porque originalmente foi instalado em um barco flutuante, onde as crianças com raquitismo poderiam tomar sol. Naquela época, muitos hospitais foram construídos para permitir o acesso a mais luz solar. Luz solar continua a ser um aspecto importante a considerar no design de um hospital. Um estudo recente mostrou que pacientes submetidos à cirurgia da coluna vertebral internados em quartos luminosos e ensolarados necessitavam de muito menos medicação para dor.

É possível encontrar pessoas com deficiência física tranquilamente se banhando ao sol aproveitando o calor. Nesta atividade eles podem participar de imediato quanto qualquer pessoa normal. Com moderação, eles devem continuar nesta atividade, é saudável.

Historicamente, muitas modalidades de cura têm um ciclo perto e longe dos holofotes. Luz solar (helioterapia) foi muitas vezes uma parte da armamentária de cura da humanidade, incluindo o de Hipócrates, o Pai da Medicina Ocidental. No início do século XX, helioterapia foi usada para tratar muitas doenças, como a tuberculose, o raquitismo em crianças e feridas de guerra. Sua importância foi ressaltada quando o Dr. Niels Finsen ganhou o Premio Nobel em 1903 pelo desenvolvimento de uma radiação ultravioleta (UV) de tratamento para tuberculose, que também pode ser usado para raquitismo.

A maioria dos seres humanos depende de exposição ao sol para satisfazer suas necessidades de vitamina D. A vitamina D é reconhecida como a vitamina do sol. Os fótons ultravioleta B solar são absorvidas pelo 7-dehidrocolesterol na pele, levando a sua transformação a pré-vitamina D3, que é rapidamente convertida em vitamina D3.

A vitamina D3 é transportada na corrente sanguínea para o fígado, onde é convertida em 25-hidróxivitamina D ou calcidiol. Calcidiol (pro hormônio) circulante pode então ser convertido em 1,25-dihidróxivitamina D3 (calcitriol), a forma biologicamente ativa da vitamina D, seja nos rins ou por monócitos-macrófagos no sistema imune. Quando sintetizada por monócitos-macrófagos, calcitriol age localmente como uma citocina, defendendo o organismo contra invasores microbianos. Após a etapa final convertendo no rim, calcitriol é liberada para a circulação. Ligando-se a proteínas que se ligam a vitamina D (VDBP), uma proteína transportadora no plasma, calcitriol é transportado para vários órgãos-alvo.

Quando sintetizada nos rins, calcitriol circula como um hormônio, que regula a concentração de cálcio e fosfato na corrente sangüínea e promove o crescimento saudável e remodelação do osso. A vitamina D previne o raquitismo nas crianças e osteomalácia em adultos, e, juntamente com o cálcio, ajuda a proteger os idosos de osteoporose. A deficiência de vitamina D entre as crianças pode impedir as crianças de chegar a sua altura e pico de massa óssea geneticamente programados Também afeta a função neuromuscular, inflamação e influencia a ação de muitos genes que regulam a proliferação, diferenciação e apoptose das células.

A vitamina D é reconhecida como a vitamina do sol. A partir de uma perspectiva evolutiva de fitoplâncton, zooplâncton que existiram em nossos oceanos por  500 milhões anos, produziram vitamina D quando expostos à luz solar. Embora a função dela nessas formas de vida primitiva não é bem compreendida, é possível que o processo fotossintético da vitamina D foi usado por estas formas de vida para prover o organismo com informações sobre a exposição a radiação solar ultravioleta UV B.

A vitamina D pode ter permanecido tão importante, ao longo da evolução, mantendo o metabolismo do cálcio e posteriormente  evoluindo para formas de vida para desenvolver endoesqueletos (ossinhos!!!) para se aventurar em terra  (NOSSA!!!). As pinturas rupestres mais antigas indicam que os seres humanos apreciaram não só o calor, mas também as propriedades vivificantes do sol.

Em 1919, Huldschinsky expôs crianças com raquitismo a uma lâmpada de vapor de mercúrio e relatou a cura dramática de raquitismo. Em 1921, pesquisadores observaram crianças em Nova York, que foram expostos à luz solar no telhado do hospital por um período de vários meses, notando um tratamento eficaz de raquitismo. Esses achados levaram outros estudiosos a irradiar uma grande variedade de substâncias, incluindo gramíneas e vários óleos vegetais relatando que o processo de irradiação transmitia atividade antiraquítica aos alimentos. Outros também demonstraram que a exposição ao sol impediu o aparecimento do raquitismo em ratos. Foi introduzido o conceito de irradiação de alimentos com radiação UV para o tratamento e prevenção do raquitismo.

FONTE DE VITAMINA D IRRADIAÇÃO E SUPLEMENTAÇÃO

O leite foi inicialmente enriquecido com ergosterol e irradiado para atividade antiraquítica. Isto levou à fortificação do leite com vitamina D2 produzido sinteticamente. Este simples processo de fortificação, essencialmente erradicou o raquitismo em países que adotaram essa prática. Na década de 1930, a vitamina D foi a vitamina do novo milagre e muitos produtos foram enriquecidos com vitamina D2, incluindo pasta de amendoim, salsicha para cachorro-quente, refrigerante e pão. Schlitz Brewery (Milwaukee,WI), introduziram a cerveja contendo vitamina D2 (100 UI ou 2.5 g por lata) e comercializados como a cerveja com a energia do sol tanto no verão quanto no inverno.

Muitos poucos alimentos contém vitamina D naturalmente. Alguns peixes como salmão e sardinha são boas fontes de vitamina D3. Óleo de fígado de bacalhau que foi considerado por séculos ter importância crítica para a saúde dos ossos é uma fonte excelente de vitamina D3. Leite, suco de laranja e outros sucos, alguns pães e cereais são fortificados com vitamina D. Mais de 90% da necessidade de vitamina D para a maioria das pessoas vem de exposição casual à luz solar. A pele tem uma grande capacidade para produzir vitamina D.

A Europa também produziu produtos lácteos enriquecidos com vitamina D2. Após a Segunda Guerra Mundial, no entanto, processo de fortificação com a vitamina D não foi cuidadosamente monitorizado e grandes quantidades excessivas de vitamina D foram adicionados a alguns produtos lácteos, causando um surto de intoxicação por vitamina D entre os lactentes e crianças jovens. Isso levou à proibição de fortificação com vitamina D de produtos lácteos na maioria dos países europeus que permanece até hoje. Na Europa atual, a margarina e alguns cereais são fortificados com vitamina D, assim como no Brasil

DEFICIÊNCIA DE VITAMINA D

Como muitos poucos alimentos contêm vitamina D naturalmente e apenas alguns deles são fortificados com ela, a sua deficiência se tornou epidêmica para todas as faixas etárias nos Estados Unidos e Europa. A deficiência de vitamina D não só causa a doença óssea metabólica entre crianças e adultos, mas também pode aumentar o risco de muitas doenças crônicas comuns. Estima-se que 1 bilhão de pessoas no mundo, independente de etnia e idade tem deficiência de vitamina D. Deve-se principalmente a se expor a menos luz solar devido ao clima, estilo de vida e preocupações com câncer de pele. Embora a exposição excessiva crônica ao sol aumente o risco de câncer de pele  não melanoma, evitar toda e qualquer exposição solar direta aumenta o risco de deficiência de vitamina D, que pode ter conseqüências graves. Monitoramento das concentrações séricas de 25-hidróxivitamina D por ano deve ajudar a revelar deficiências de vitamina D. Exposição ao sol sensível (normalmente 5-10 min de exposição dos braços e das pernas ou das mãos, braços e face, 2 ou 3 vezes por semana) e aumento da ingestão de vitamina D na dieta e suplementar são abordagens razoáveis para se garantir a suficiência.

FATORES QUE ALTERAM A PRODUÇÃO NA PELE DE VITAMINA D3

Se ocorrer alguma influência ou interferência no número de fótons solares de raios UV B que chegam e penetram na pele ou que pode alterar a quantidade de 7-hidrocolesterol na pele vai influenciar a produção cutânea de vitamina D3.

IDADE: Os estudos mostram que a quantidade de 7- dehidrocolesterol na epiderme é constante ao longo da vida de um indivíduo e só com mais idade diminui. Uma pessoa de 70 anos ao ficar exposta à mesma quantidade de luz solar que uma de 20 anos, vai produzir 25% da vitamina D3.

TIPO DE PELE: A melanina evoluiu como um filtro solar natural eficaz porque absorve fótons UVB. As pessoas com maior pigmentação da pele com melanina precisam ser expostas por mais tempo ao sol para fazer a mesma quantidade de vitamina D3, em comparação com as pessoas de pele clara. Um jovem adulto com pele do tipo sempre queima, sempre bronzeia, que foi exposta a uma dose eritemal mínima (MED) de raios UV 54 mJ/cm2 aumentou em 50 vezes a concentração sanguínea de vitamina D3 no prazo de 8 h, enquanto que um adulto da mesma idade com a pele tipo Afro que nunca queima e sempre bronzeia, exposto a 54 mJ/cm2 não apresentou nenhum aumento digno de nota nas concentrações no sangue de vitamina D3. O adulto com a pele tipo Afro exigiu exposição de 5-10 vezes para apresentar apenas um aumento de 30 vezes na concentração sanguínea de vitamina D3.

PROTETORES SOLARES: agem de forma a absorver a radiação UVB e parte da radiação UVA antes de entrar na pele. Portanto, não é surpreendente que um protetor solar com fator de proteção solar (FPS) de 8 reduzir a capacidade da pele de produzir vitamina D3 em torno de 95%. Protetor solar usado corretamente com um FPS de 15 reduz a capacidade em 98%. Quando adultos aplicaram na pele um protetor solar adequado (2 mg/cm2, ao longo de um corpo adulto vestindo um traje de banho), a quantidade de vitamina D3 produzida na pele foi reduzida em 95%.

LOCAL, HORA e ESTAÇÃO

 Hora do dia, estação do ano, latitude também influenciam drasticamente a produção cutânea de vitamina D3 (2, 3, 21). Isto porque embora o sol esteja mais próximo da Terra no inverno, os raios do sol entram em um ângulo mais oblíquo (zenith angle) e mais fótons UVB são eficientemente absorvidos pela camada de ozônio. Além disso, com o ângulo mais oblíquo há menos fótons por unidade de área que atingem a Terra. Hora do dia, estação, latitude, tudo isto influência do ângulo zenital do sol. Acima de 37° de latitude durante os meses de novembro a fevereiro (no hemisfério Norte), há diminuições acentuadas (80-100%, dependendo da latitude) no número de fótons UVB que atingem a superfície da Terra. Portanto, muito pouca ou nenhuma vitamina D3 é produzida na pele durante o inverno.

CÂNCER DA PELE, LUZ SOLAR E VITAMINA D

Há grande preocupação com a exposição à luz solar, causando danos da pele, incluindo câncer de pele e rugas. Exposição excessiva à luz solar crônica e incidentes de queimaduras solares durante a infância e a vida adulta jovem aumentam significativamente o risco de carcinomas não melanoma.Exposição excessiva ao sol por muito tempo prejudica a estrutura elástica da pele, aumentando o risco de enrugamento e aumenta de forma significativa o risco de carcinomas não melanomas e envelhecimento precoce. A forma mais grave de câncer de pele é o melanoma. Aparentemente a maioria dos melanomas ocorre em áreas não-expostas ao sol e ter sofrido queimaduras solares ou cabelo vermelho ou exposição solar excessiva também aumentam o risco de doença mortal.

No entanto, com base em nossa compreensão da eficiência de exposição ao sol para a produção de vitamina D3 na pele, é razoável pensar em deixar se expor ao sol sem proteção solar, para a produção de quantidades adequadas de vitamina D3.

Exposição diária à luz solar por 5-15 min entre as horas de 10:00h e 15:00h durante a primavera, verão e outono é geralmente suficiente para a exposição de indivíduos com pele claras. A pele mal fica avermelhada. Após essa exposição, a aplicação de um protetor solar com um FPS de 15 é recomendado, para evitar os efeitos nocivos da exposição excessiva à luz solar crônica.

ONDE FICAMOS?

Vitamina D é essencial aos indivíduos. A pele é a grande fonte de produção desta vitamina quando sujeita à ação direta dos raios solares. Sem raios solares adequados não há produção. Protetores solares impedem a produção. Tome sol direto por pouco tempo. Se for à praia ou esquiar ou ficar exposto ao sol por horas use protetor solar.

Equilíbrio e coerência são exigências da natureza!!! Muito difícil de seguir com tantas descobertas, mudanças, informações e interesses. Um pouco disto um pouco daquilo, em doses adequadas e dá pra pensar em sermos bronzeados, vitaminados e saudáveis!!!

Notícia em: Ribeirão Prêto Online
http://www.ribeiraopretoonline.com.br/coluna-julieta-ueta/vitamina-d-a-vitamina-do-sol-para-muito-mais-do-que-so-ossos-saudaveis/44252
Acesso em 20 de agosto de 2011.

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