terça-feira, 16 de agosto de 2011

Com mercado aquecido, área de estética e cosmética tem até pós-graduação

Profissionais da beleza se especializam cada vez mais para atender exigências dos clientes e acompanhar as rápidas inovações do mercado. Além de cursos livres, técnicos e graduações, a área de estética e cosmética já conta com pós-graduações lato sensu - do tipo voltado mais ao aperfeiçoamento que à pesquisa.

Atualmente, o mercado de beleza no Brasil é o terceiro maior do mundo e não para de crescer. Somado a isso, o aumento de clínicas de estética, spas e espaços dedicados ao cuidado e bem-estar em hotéis, academias e clínicas médicas faz com que a carreira no setor área seja cada vez mais promissora, conta Célio Takashi Higuchi, professor da pós-graduação em cosmetologia aplicada à estética do Centro Universitário Senac, em São Paulo, – curso que foi implantado neste ano.

- Como a profissão ainda não regulamentada, não existe um piso salarial. Mas, pelos nossos contatos com empresas, é pago aos estagiários entre R$ 800 e R$ 1.300, com carga de 30 horas [semanais].


Nesta sexta-feira (12), a Câmara aprovou um projeto para regularizar as profissões ligadas à estética, que exige, por exemplo, a contratação via CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). A proposta ainda vai ser avaliada por senadores antes de entrar em vigor.

Tatiana Bertacin, que coordena a pós-graduação em estética, embelezamento e dermatocoméstica recém-criada pela Faculdade Inspirar, em Curitiba, conta que nem sempre os profissionais são contratados com um salário fechado e acabam recebendo por serviços executados. A porcentagem varia de 30% a 50% do que é cobrado dos clientes.

- Um procedimento como a depilação definitiva na virilha pode custar à cliente R$ 300. Então, por 15 minutos de trabalho, uma esteticista experiente e bem qualificada pode ganhar R$ 100.

A professora afirma, no entanto, que, com o surgimento de sites de compra coletiva, o trabalho tem sido pior remunerado. Segundo ela, alguns procedimentos chegam a ser vendidos por R$ 20 a um grupo de consumidores.

Como é o curso

Para Tatiana, a vantagem de fazer uma pós-graduação é aprofundar conhecimentos em anatomia e fisiologia e conhecer equipamentos e tratamentos mais modernos.

- Alguém graduado na área já tem noções básicas, mas com a pós-graduação, o profissional vai ser capaz de montar protocolos de tratamento. Eles funcionam como uma receita de bolo, indicando a sequência de uso de produtos, considerando a interação entre eles, e de uso dos equipamentos.

Os cursos costumam ter boa dose de aulas práticas. O professor do Senac, Célio Higuchi, diz que o curso ajuda a entender melhor como são fabricados os cosméticos, aproximando os alunos de áreas mais ligadas à farmácia por meio de vivências laboratoriais. Isso não quer dizer que o pós-graduado será capaz de produzir um cosmético, mas ele terá mais condições de avaliá-lo criticamente.

A pós-graduação também interessa a pessoas de negócios, conta Maria Goreti de Vasconcelos, da Faculdade Método de São Paulo. A instituição oferece disciplinas em marketing e empreendedorismo no curso de Estética, aberto há dois anos, para quem planeja abrir ou gerenciar um centro estético.

Em geral, as especializações na área duram entre um ano e meio e dois anos. A carga horária total é de 360 horas e parte dela pode ser feita à distância. Normalmente, as faculdades aceitam graduados em diversas áreas, em especial, nas da saúde.
 
Fábio Borges, coordenador da pós-graduação em estética na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, conta que a área é muito procurada por fisioterapeutas.

- Com o ‘boom’ da profissão [fisioterapia], o salário caiu e muitos começaram a procurar alternativas. Como a estética é uma área que costuma dar um bom retorno financeiro, ela se tornou uma das interessantes.

A Gama Filho aceita formados em qualquer profissão, mas pedem que tenham experiência em estética.

Cuidados na hora de escolher a pós

De acordo com informações do MEC (Ministério da Educação), as pós-graduações do tipo lato sensu não precisam de autorização e reconhecimento, desde que sejam oferecidas por instituições de ensino superior já credenciadas no ministério. Elas podem criar especializações nas áreas em que possuem competência, experiência e capacidade instalada.

As faculdades não podem se limitar a “validar” os certificados emitidos por terceiros nem delegar essa atribuição a outra entidade. O corpo docente deverá ter necessariamente por, pelo menos, 50% de professores com título de mestre ou de doutor, obtido em programa reconhecido pelo MEC.

Para saber se a faculdade é credenciada pelo ministério, os estudantes podem consultar o portal e-mec. Mais informações estão disponíveis no site do ministério.
 

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