segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Nova droga ajuda no combate ao câncer de estômago

O câncer gástrico ou de estômago é o segundo tipo de câncer que mais mata e o quarto mais comum no mundo. Em Belém, esse tipo de câncer cresceu 50% nos últimos anos, ultrapassando o câncer de próstata, que liderava o número de casos. Apesar da gravidade, o câncer de estômago ainda tem poucas opções de tratamento e a situação se agrava em razão de a maioria dos pacientes só descobrir a doença já em estágio avançado. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) dão conta de que 65% dos pacientes diagnosticados têm mais de 50 anos e o pico se dá em homens por volta dos 70 anos de idade.

Daí a importância do novo medicamento que surge agora para tratar o câncer gástrico já oferecido no país. Vendido nos Estados Unidos e na Europa, o trastuzumabe poderá agora ser utilizado no Brasil para o tratamento do segundo tipo de câncer mais mortal no mundo. A aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi publicada no Diário Oficial da União no último dia 18 de julho.

Sandro Cavallero, oncologista clínico do Hospital Ophir Loyola, explica que o medicamento, que já é usado com sucesso no combate ao câncer de mama e para o tratamento do adenocarcinoma de estômago na Europa e Estados Unidos, agora passa a ter a mesma indicação no Brasil, ajudando no tratamento do câncer gástrico.

“O ganho na sobrevida do paciente com esse medicamento passa, em média, de 11 para 13 meses. Para um leigo pode parecer pouco, mas para quem está na fase terminal, é um avanço considerável. É bom deixar claro que esses dois meses são a média. Há casos de pacientes que sobrevivem muito mais”, esclarece.

Cavalero explica que o trastuzumabe tem uma limitação: o medicamento só pode ser utilizado em cânceres metastáticos (avançados) que expressam a molécula HER2, que fica na superfície da célula cancerosa. “O remédio age contra essa molécula que faz com que o tumor cresça e seja mais agressivo. Só 20% dos tumores gástricos expressam essa molécula”, diz o médico.

Outro entrave é o preço: a ampola do medicamento custa R$ 7 mil a ampola, que deve ser tomada a cada três semanas. “O Sistema Único de Saúde ainda não disponibiliza o medicamento por causa do seu alto custo, por isso ainda não o utilizamos no Ophir Loyola. Apenas os planos de saúde o disponibilizam, mas ainda assim com muita dificuldade. Ainda demora para que chegue de graça para a população”, relata o oncologista.

Uma grande vantagem do trastuzumabe é que em vez de matar todo tipo de célula na tentativa de eliminar as cancerígenas, como fazem os medicamentos quimioterápicos, ele impede a reprodução apenas daquelas células que possuem quantidade exagerada da proteína HER2, cuja produção excessiva é determinada por um erro no gene do mesmo nome - o que leva ao câncer.

A efetividade do trastuzumabe no tratamento de pacientes com câncer gástrico metastático em combinação com quimioterapia foi comprovada em um estudo realizado com base em critérios internacionais e publicado na prestigiada revista médica “The Lancet”, embasando as aprovações do Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que regulamenta os medicamentos; e do EMEA, órgão regulador da Europa.

Pará soma maior número de casos

Sandro Cavallero diz que o Pará concentra o maior número de casos de câncer gástrico do país, o que se deve principalmente aos maus hábitos alimentares. “O paraense costuma consumir exageradamente alimentos ricos em sal, carboidratos e gorduras saturadas, pobres em proteínas do leite, vitamina C e antioxidantes presentes nos vegetais como verduras e frutas frescas”, diz.

A bactéria causadora H.Pylori, associada a úlcera gástrica e a gastrite com atrofia da mucosa gástrica, também são considerados agentes e componentes relacionados a incidência cancerígena. O médico diz que apenas 20% do total de casos de câncer gástrico tem origem genética.

Pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que o brasileiro está consumindo em excesso açúcar, sódio e gorduras saturadas, o Ministério da Saúde lançou uma campanha para estimular a redução desse consumo a fim de prevenir doenças como a hipertensão, câncer gástrico e problemas cardíacos.

A pesquisa foi baseada na análise das medidas no consumo alimentar individual de pessoas a partir dos dez anos de idade e levou em consideração tanto a alimentação em casa quanto fora dela. O estudo aponta que 90% da população tem uma dieta carente de nutrientes.

Entre os principais vilões da má alimentação estão os altos índices de consumo de sal. Para agravar o quadro, a culinária paraense soma muitos pratos salgados, como o vatapá, a maniçoba, e ainda os camarões salgados, charque, etc. “Como todos sabem, muitos alimentos, principalmente no interior do estado, são salgados e defumados para durarem mais e o consumo exagerado desses aumenta a probabilidade de incidência do câncer gástrico”, alerta o médico. (Diário do Pará)
 
Em: http://diariodopara.diarioonline.com.br/N-139856-NOVA+DROGA+AJUDA+NO+COMBATE+AO+CANCER+DE+ESTOMAGO.html - acesso em 15 de agosto de 2011

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