Leidiane Montfort / Especial para A Gazeta
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) realizou estudo pioneiro no tratamento de câncer de colo uterino. A divulgação da primeira fase do ensaio com erlotinibe combinado com cisplatina e radioterapia para pacientes com câncer cervical de células escamosas, localmente avançado, ocorreu na revista científica Clinical Cancer Research, editada pela Associação Americana para Pesquisa do Câncer. A publicação é considerada uma referência internacional na área de desenvolvimento precoce de novas terapias.
"A aplicação desta terapia diferenciada incluiu a participação de pacientes com estadiamento de tumores grandes, pessoas que geralmente já faziam radio e/ou quimioterapia. Utilizamos essa nova droga no tratamento de câncer cervical e com isso nos tornamos a primeira instituição no mundo a fazer uso desta terapia. Isso demonstra a maturidade da pesquisa em nossa instituição", afirma o coordenador geral do estudo e chefe da pesquisa clínica do Inca, Carlos Gil Ferreira.
As pesquisas oncológicas precisam passar necessariamente por três fases. A primeira, já feita pela instituição envolveu 15 pacientes, com idades entre 36 e 59 anos, ela avaliou se a nova terapia era tolerável ou não e se apresentava efeitos colaterais. O objetivo do estudo que durou dois anos foi determinar a tolerância máxima e a toxicidade associada ao erlotinibe quando administrado concomitantemente com cisplatina e radioterapia.
"Para medir as alterações é preciso ter uma equipe treinada, e esse foi o nosso caso, contamos com um trabalho muldisciplinar de oncologistas, ginecologistas, radiologistas e outros, são mais de 10 profissionais envolvidos no estudo", explica o coordenador.
A segunda etapa já em andamento vai medir a eficácia do novo método, a previsão do término dessa fase do estudo é para até o fim de 2009. A partir daí virá a finalização com a terceira etapa, que é a da comparação entre a nova terapia e a tradicional. Verificar se ela será capaz de aumentar verdadeiramente a sobrevida dos pacientes. "Há muito o que avançar mas também a comemorar em relação ao estudo. Afinal, o Brasil não tem tradição nesse tipo de pesquisa e a iniciativa inédita do Inca com o Hospital das Clínicas 2 quebrou paradigmas e pode proporcionar avanços no tratamento de pacientes oncológicos", declara.
Notícia em: A Gazete Digital -Viva Bem - http://www.gazetadigital.com.br/conteudo/show/secao/18/materia/198543 - acesso em 15 de agosto de 2011.
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