sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Congresso de Saúde discute as promessas e realidades das pesquisas com células-tronco

Nesta quarta-feira, a Unoesc recebeu a pesquisadora Dra. Lygia da Veiga Pereira, professora do Instituto de Biociências da USP, uma das pioneiras em estudos com células-tronco no Brasil. Ela participou do IV Congresso Catarinense de Saúde, promovido pela Área de Ciências Biológicas e Saúde do Campus de Joaçaba, e palestrou sobre as promessas e realidades da utilização de células-tronco na medicina regenerativa.

Lygia traçou um panorama das pesquisas e discussões relativas às células-tronco na atualidade. Falou a respeito do problema ao qual elas se apresentam como possível solução, ou seja, a perda de funções de órgãos e tecidos por doença ou envelhecimento. “Uma alternativa seria repor esses tecidos por tecidos novos e saudáveis. Aí entram as células-tronco, pois a partir delas poderíamos gerar esses tecidos”, comentou.

Ela também explicou as diferenças conceituais e de aplicação entre as células-tronco embrionárias e adultas: as embrionárias podem se transformar em qualquer tipo de célula enquanto as pesquisas com as adultas demonstraram até agora que elas podem se transformar em células de alguns tipos de tecidos e órgãos, não todos. Por outro lado, as embrionárias podem formar tumores, enquanto as adultas são seguras e não geram tumor.

A pesquisadora falou também a respeito da exposição desse assunto na mídia, que pode gerar a impressão de que as células-tronco já são utilizadas para o tratamento de doenças. “A única célula-tronco que já é usada pela medicina é a da medula óssea. Quando fazemos transplante de medula óssea estamos fazendo transplante de célula-tronco do sangue, para regenerá-lo. Esse é o único tratamento consolidado. O resto é pesquisa que a gente acredita e investe, mas que precisam ser comprovadas para chegarem até o paciente”, afirmou.

Atualmente, os países que estão mais à frente nas pesquisas dessa área são os Estados Unidos, Japão, Inglaterra, Austrália, França e Israel. No Brasil, existe uma rede nacional de terapia celular, iniciativa federal para unir os grupos que pesquisam sobre células tronco. Essa rede reúne pesquisadores de inúmeras instituições, como a USP, Universidade Federal de São Paulo e outras universidades desse estado; a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Fiocruz da Bahia e a PUC de Curitiba, entre outras instituições.

No que se refere às pesquisas com células embrionárias, as instituições brasileiras só conseguiram avançar a partir de 2005, com a Lei de Biosegurança, que teve sua constitucionalidade questionada e acabou sendo reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em 2008.

Pesquisa interdisciplinar

Após a exposição de Lygia, o coordenador da área interdisciplinar da Capes, Dr. Pedro Pascutti, falou sobre a pesquisa interdisciplinar na área da saúde e na biomedicina. Ele explicou como a pesquisa interdisciplinar é feita no país, como é acompanhada pelas agências de fomento e como os grupos de pesquisa se agregam nas diversas regiões para montar estruturas de pós-graduação e formação de recursos humanos.

Segundo explicou, existem duas maneiras de constituir pesquisas interdisciplinares. A mais frequente em regiões em que a densidade de pesquisadores é baixa, como no interior dos estados e até em algumas regiões centrais como o centro de São Paulo e o norte de Minas gerais, por exemplo. Nas instituições dessas regiões, é comum a união de grupos de pesquisa de áreas diferentes para construir projetos multidisciplinares, isto é, projetos em que há o ajuntamento de várias disciplinas que trocam informações e têm vários projetos entre si sem um tronco comum de pesquisa.

Outra forma de constituir pesquisas interdisciplinaridades ocorre quando instituições já consolidadas em termos de pesquisa consegue juntar pesquisadores de várias áreas do conhecimento para abordar um problema comum. “Elas reúnem especialistas que já estão envolvidos na sua área disciplinar e constroem uma nova proposta interdisciplinar”, pontou Pascutti.
 
 
Notícia em UNOESC
http://www.unoesc.com.br/noticias/congresso-de-saude-discute-promessas-e-realidades-das-pesquisas-com-celulas-troco
Acesso em 21 de agosto de 2011.

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