sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Criança de 3 anos com câncer raro luta por remédio proibido no Brasil


Clique na foto para ampliar
Felipe Wolff de 3 anos é submetido a sessões de quimioterapia
Foto: Acervo da família

Há 18 meses a família Wolff luta para encontrar a cura para um tipo raro de câncer que acomete o filho mais novo de Guilherme e Evelyn. Atualmente com 3 anos de idade, Felipe Wolff é submetido a sessões de quimioterapia contra a Histiocitose de Células de Langerhans. Dentre altos e baixos a família persiste na esperança e corre contra o tempo para livrar o filho do câncer.

Depois de muita pesquisa e de incansáveis visitas a médicos a doença foi diagnosticada por um laboratório de São Paulo.

“Ele começou a sentir dores, passamos por diversos médicos. Foram meses de pesquisa para descobrir o que ele tinha e ninguém sabia. Além de dor ele começou a apresentar infecções e lesões graves na pele. Dentre tantas consultas teve médico que tratou a mim e a minha esposa com extrema ineficiência profissional. Minha esposa foi satirizada por uma médica que disse: - Mãe, a médica aqui sou eu e não você”, desabafa o pai do pequeno Felipe.

No dia 22 de abril do ano passado foi diagnosticada a doença: Histiocitose de Células de Langerhans. Desde então, Felipe é submetido a intermináveis sessões de quimioterapia. “No dia 22 recebemos o diagnóstico, no dia 24 ele passou pela primeira quimioterapia, a qual não parou mais”, lamenta Guilherme.

Toda semana, a cada sete dias o garoto é submetido a quimioterapia. Guilherme conta que o filho já passou pelos três tipos de quimioterapias existentes no mundo, contra o tipo raro de câncer de Felipe. “Felipe já passou por três protocolos existentes no mundo e não apresentou reação positiva em nenhuma dela”.

O câncer de Felipe é uma doença multisistêmica e pode ir, de uma hora para outra, para qualquer órgão, pele, osso, órgãos vitais internos e cérebro. No caso dele, os órgãos já acometidos são fígado, pulmão e baço. “Talvez o intestino também tenha sido afetado, porém, ainda não foi feita a biopsia, uma vez que ele está muito debilitado e o exame seria muito agressivo para ele”, informa o pai.

Apesar das condições em que se encontra, Felipe é uma criança muito ativa. “Graças a Deus, por força da fé ele está muito bem, conversa e brinca. Apesar de ser uma doença grave, ela está num estágio intermediário, não está se manifestando no corpo dele de forma tão agressiva, porém, a doença está em plena atividade e a qualquer momento ela pode fugir de controle. O agravante é que, nas duas últimas semanas ele tem tido uma piora gradativa”, diz Guilherme.

“Em geral, quando não está com dores é extremamente ativo, animado, brinca, é uma criança maravilhosa, na grande maioria do tempo está sempre de bem com a vida, tagarela, super querido e tranqüilo. Quando está em crise fica mais irritado, reclamando de dor, mas normalmente é carinhoso e muito inteligente. Ele possui hábitos saudáveis de alimentação, por exemplo, ele nunca tomou refrigerante”, diz Guilherme ao destacar algumas qualidades do filho.


Em maio deste ano Felipe teve uma crise hepática. Na ocasião o médico deu a ele três meses de vida. “Na crise hepática há risco de vida, pois se o fígado entra em falência não há sobrevivência. E com o fígado em crise ele não pode tomar o remédio”, diz Guilherme.

Esperança

Um remédio importado, usado para tratamento de leucemia melóide aguda, nos Estados Unidos, pode salvar a vida do pequeno Felipe, porém, pelo fato de não ser reconhecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ele não pode entrar no Brasil.

O empresário Antônio Moraes, de Campo Grande, doou R$ 50 mil para a compra de dez doses do remédio. “É raríssima no mundo a doença que utiliza este remédio. Por isso o Brasil não tem interesse comercial de investir. Não é homologado pela Anvisa pela pouca quantidade que se usa aqui”, relata o pai da criança.

As partes burocráticas para a importação do remédio já estão sendo solucionadas. Segundo Guilherme, o advogado responsável entrou em contato com a importadora que se comprometeu a entregar as doses.

“O banco não estava aceitando a remessa do dinheiro porque o remédio não tinha liberação da Anvisa. Agora os dois problemas já foram solucionados mas ainda não há previsão de quando o produto chega ao Brasil”.

Serão recebidas nesta primeira remessa 10 doses do remédio para ver se o organismo de Felipe reagirá de forma positiva. “O médico quem sugeriu fazer um teste pra ver a reação do Felipe, que está bem debilitado. Caso reaja bem, serão necessárias mais 20 doses”, diz o pai de Felipe.

Cada dose do remédio custa US$ 2.550 dólares. “Esta é uma esperança para Felipe. Um pesquisador fez a pesquisa em duas crianças com a mesma doença e o resultado foi a cura. Sem o remédio as chances de cura dele é de 20 a 30%”.

Segundo Guilherme, o remédio é eficiente, eficaz e aprovado pelo Food and Drugs Administration  (FDA)  órgão máximo que regula os medicamentos nos Estados Unidos. “Este remédio é aprovado lá fora. Não se trata de que meu filho vai ser cobaia de médico, o remédio só não é financiado aqui no Brasil por falta de interesse comercial”.

Além de Felipe, Guilherme e Evelyn são pais do pequeno Henrique, de 5 anos.
Clique na imagem para acessar a galeria


Além de Felipe, Guilherme e Evelyn são pais do pequeno Henrique, de 5 anos

Foto: Acervo da família
“Nos emocionamos diariamente com as atitudes de Henrique com Felipe. Ele é muito atencioso com o irmão e não deixa ninguém brigar com o Felipe. Ele briga até com a gente quando chamamos a atenção de Felipe por algum motivo”, finaliza o pai que nunca perdeu a esperança de encontrar a cura e o alívio para a dor de Felipe Wolff e de toda a família.

Fonte: Valquíria Oriqui - Capital News (www.capitalnews.com.br)

Nenhum comentário:

Postar um comentário