Citando Dale Carnegie um jovem farmacêutico me disse uma vez: “interessando-nos pelos outros, conseguimos fazer mais amigos em dois meses do que em dois anos a tentar que eles se interessem por nós", quase vinte anos depois aquele jovem, empresário bem sucedido - e ser humano adorável - decidiu ser candidato a presidência do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Minas Gerais.
O jovem – eu já era um velho na época – amadureceu. Brilhou, como eu já previa. E, interessado por todos, voltou a atenção para o destino da categoria farmacêutica no Estado, atraindo a atenção dos milhares de amigos que fez ao longo da vida ainda tão breve.
No currículo leve que apresenta não cabe o grande coração que carrega no peito. O nome da chapa pela qual se candidata “CRF prá valer, prá você” não relata, por exemplo, que é o Presidente de Honra da Sociedade Musical União XV de Novembro, fundada em 1901 (de onde usei a foto da matéria). Do texto sintético nada se pode extrair quanto ao seu otimismo e alegria de viver.
Minha última visão do Vanderlei foi quando estava chorando, sozinho e comovido, durante homenagem prestada àqueles farmacêuticos que, já velhinhos, tinham as suas histórias de carinho carimbadas com comendas de reconhecimento entregues no Hotel Othon. Preferi não me aproximar, primeiro porque também já sou velho, e sei que os homens devem chorar assim, sozinhos, mas também porque minhas pernas já não me levam tão facilmente para onde eu quero.
Construí minha vida fora do Brasil, e minha carreira fora das montanhas destas Minas Gerais, para onde vim já aposentado. Acompanhei com tristeza as notícias sobre os imbróglios que envolveram as gestões mais antigas do Conselho, e tenho muito medo que o falso discurso da transparência seja apenas um álibi para esconder alguns ilícitos, e praticar uns tantos outros... E isto porque, me perdoem a franqueza, não se pode confundir transparência com invisibilidade.
Vou tomar a liberdade, de mostrar aos meus amigos, o poema de Bertold Brecht que o aluno Vanderlei Machado (hoje Professor) me entregou – sem sequer saber quem eu era – enquanto eu passeava com a minha família na cidade de Ouro Preto nos idos de 1973, guardei para sempre, porque, julguem vocês mesmos:
De que Serve a Bondade
De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?
De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?
2
Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor;
A faça supérflua!
Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!
Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!
Palavras de um homem bom, que comoveram um homem bom, que merecem as pessoas de bem junto a eles.
Muito boa as considerações!!!
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